O atual estudo foi realizado com mais de 12 mil enfermeiras dinamarquesas, com uma média de idade de 51 anos e que foram acompanhadas por 15 anos. No início do estudo, foi aplicado um questionário que media o nível de estresse no trabalho, assim como o grau de influência que essas mulheres tinham sobre as decisões no dia a dia do trabalho.
As mulheres que relataram ter um trabalho com estresse levemente alto apresentaram um risco de doença isquêmica do coração 25% maior quando comparadas àquelas com um nível de estresse fácil de administrar. Já as mulheres com um nível de estresse muito alto tiveram um risco 50% maior, e mesmo levando em conta outros fatores de risco cardiovascular, como o tabagismo, a chance de doença do coração ainda persistiu 35% maior. As mulheres com maior risco foram aquelas com menos de 51 anos. O nível de controle sobre as decisões do trabalho não teve associação com a doença do coração.
O presente estudo dá mais um passo nas evidências de que o estresse no trabalho não combina com saúde e é um dos raros estudos que demonstram esse efeito entre mulheres. Medidas de redução desse estresse devem ser pensadas como uma das medidas para a prevenção de doença isquêmica do coração, que é uma das principais causas de mortalidade em nosso meio e que afeta igualmente homens e mulheres.
Por Ricardo Teixeira
Doutor em neurologia e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Dirige o Instituto do Cérebro de Brasília e é o autor do Blog "ConsCiência no Dia-a-Dia".
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